Só para loucos
  Apreciações (a) diversas

 

I

Olhar janela afora
Toda a beleza construída.
A pureza do teu concreto
O azul de tua piscina
O almejado cinza do teu céu
Apreciar demoradamente teu verde
Das quadras de tênis talvez
Toda a luminosidade elétrica da tua escuridão
Da tua destruída escuridão natural
Entregar-se à tua vaidade
Impura e devastadora
O canto dos pássaros suprimidos

A excentricidade comum
Do silêncio do teu centro
Caídos, alcoolizados te renegam
A urbanização imposta
Tão aceita e venerada
São observações de uma noite não calada.
 
Gustavo Chaves


Escrito por Gustavo Chaves às 21h58
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  Quase

                           para Maira Mota

Até que um dia me apareceu:

Calada

Mas dizia me amar!

Não havia mais tempo

Não havia mais mundo.

 

Gustavo Chaves

 

 



Escrito por Gustavo Chaves às 19h46
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  Solidão (ou solstício de verão)

I

O homem luta como o sol
Que insiste em começar a brilhar
E se põe em êxtases milenares
E finda sem medo, remorso ou tristeza
Na eterna esperança de renascer

II

Na longa jornada há o caminho obliquo
E na impossível escolha concretiza-se:
O desejo de ser só

III

Sob luas: aquário radiante e indeciso
Sabe do presente
Mas também sabe temer o futuro.

IV

Que os olhos só enxerguem verdades
E que esta não tapem os amigos
Na certeza de findar.

V

Prometeram vindouros tempos
De união e perseverança,
Mas a avenida volta-se para si mesma
Tal qual o homem
Tal qual deus.

 

Gustavo Chaves



Escrito por Gustavo Chaves às 20h09
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